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20 de Abril de 2015
Hollywod, o Cigarro & Uma Revolução a Caminho

Eu fui uma adolescente tímida e insegura. Não era a garota popular da escola, não era a CDF (ainda se chamam assim hoje em dia os mais inteligentes da classe?), não me achava bonita, era complexada sobre meu corpo e era uma garota bastante ingênua. 


Tive uma educação rígida, era boazinha e obediente.


Isso tudo ficou para trás e superei a maioria dos medos que eu tinha na época. Hoje vejo tudo como uma grande perda de tempo que só me atrasava a vida, e sei que inseguranças como essas fazem parte da adolescência de muitos de nós. 

A sabedoria não costuma acompanhar a juventude...


Ah, a adolescência, esse período mágico de nossas vidas, cheio de grandes paixões e emoções tão intensas!


Mais ou menos nessa época, apareceu o filme Grease, estrelado por Olivia Newton Jones e John Travolta. Para quem é jovem hoje e nunca ouviu falar, estamos falando sobre o lançamento de um filme de 1978, que retratava a juventude reprimida da década de 50 nos Estados Unidos.

Olivia Newton Jones era Sandy, uma adolescente certinha que se apaixonou pelo romântico Danny, o personagem de John Travolta, num amor de verão.

 

Passado o verão, reencontram-se na escola, surpresos pela coincidência desse reencontro. 

O romântico Danny então se revela escondido atrás do falso bad boy, líder de gang, cheio de auto-confiança por fora, mas inseguro e frágil por dentro.

 

Mas há algo terrível embutido na história: O cigarro trazendo coragem e confiança.


Ele é peça chave no filme como elemento de superação das inseguranças dos adolescentes. Sandy aparece sexy com aquela roupa colante e fumando. Como quem diz “agora faço o que quero, sou adulta e mando em mim”. E Danny, como o bad boy “cool” também dando as suas baforadas “charmosas” de auto confiança. 


Não sabíamos na época o quanto estávamos sendo explorados pela indústria do tabaco em nossas fragilidades, inseguranças e ingenuidade.


Disfarçado, oculto, como a corrupção, onde certamente o criminoso não “passa recibo”. A propaganda paga (e muito bem paga) do cigarro contaminou gerações e gerações, que por influência de Hollywood passou a ter no cigarro um grande apoio, a muleta de suas vidas e seu companheiro, no mundo inteiro. 


O fato é que cenas como essa, como a cena final de Grease, onde o cigarro é apresentado como algo tão sedutor a um jovem, são devastadoras para adolescentes. 


É justamente na pré adolescência e adolescência que a grande maioria de nós começa a fumar, altamente influenciados pela indústria do tabaco, uma indústria suja e perversa que sempre demonstrou ser desprovida de qualquer traço de ética ou moralidade. 


Crianças são rotuladas por essa indústria como “replacement smokers”, ou seja: Fumantes de reposição. Crianças são as “meninas dos olhos” deles, - embora sempre tenham negado que fossem seu alvo. A fila anda; os adultos vão morrendo das doenças do fumo, precisamos repor os clientes! Mirem nas crianças!

A história dessa diferença vai transcorrendo, até que Sandy, depois de relutar, revive seu amor na forma de uma grande aventura, ao se transformar daquela garota certinha na bad girl que estava reprimida dentro de si para se aproximar de Danny. 

 

Sua transformação se dá em sua atitude, onde perde aquele ar de ingenuidade, que é substituído por uma sensualidade latente, e em sua aparência, onde o cabelo cacheado, revolto e as roupas colantes de couro evidenciam o corpo da mulher que expõe seu desejo e decide a própria vida.

 

Em resumo: Uma mulher muito auto-confiante e segura de si.


Danny, por sua vez, apaixonado, vai no sentido oposto: decide se aproximar do estilo certinho de Sandy, quando é surpreendido pela transformação da amada.


Diante da transformação, e da atitude ativa de Sandy, fica ainda mais eletrizado por ela.


Grease caiu como uma bomba sobre minhas inseguranças e mexeu com meus sonhos de adolescente.


O filme representa um romance ingênuo com músicas que deixaram saudade. 

Quando pensamos que superamos as inseguranças da adolescência, lá vem Renée Zellweger com o filme “O Diário de Bridges Jones”, colocando em nossas mentes que, diante das contrariedades da vida, do amor e da solidão, o cigarro é o melhor companheiro.

Eu poderia passar aqui um longo tempo citando o cigarro nos filmes, como é apresentado, e as ilusões que querem colocar em nossas mentes. O que importa é que conseguem. Sempre foram mestres nisso. Temos de tirar o chapéu para a grande máquina de marketing inteligente e altamente perversa que possui a indústria do tabaco, mais conhecida no exterior como “Big Tobacco”.


Em 2012, o Ministério da Saúde americano publicou um relatório concluindo que existe uma forte relação entre a retratação do fumo nos filmes e a iniciação ao fumo entre jovens. Já era hora! (Preventing tobacco use among youth and young adults – Surgeons General Report)

De acordo com o relatório, aqueles que são mais expostos às cenas com cigarros tem o dobro de chance de fumarem, em relação àqueles menos expostos.


Aliás, em 2007 a Motion Picture Association of America, o grupo que protege o interesse financeiro de seis grandes estudios americanos de cinema (Universal, Disney, Fox, Sony, Warner Bros. e Paramount), anunciou que cenas retratando o fumo poderiam influir na classificação final do filme. 


Era a indústria começando a se proteger.


Para quem não sabe, certas classificações impróprias/restrições para a idade da audiência diminuem significativamente a margem de lucro dos grandes estúdios. Quando mais restrito ou limitado um filme em relação à idade em que é permitido, obviamente menos expectadores podem assisti-lo, e por conseguinte, menor a possibilidade de lucro. 

 

Parece que a enxurrada de dinheiro injetada por Big Tobacco agora passou a ter menos relevância do que a pressão da sociedade e dos pais, que acabam se refletindo na bilheteria. 

 

Afinal de contas, o poder do dinheiro também pode ser exercido a nosso favor. :-) 


Agora, em Março de 2015, o presidente e CEO da Disney, Bob Iger, anunciou que os estúdios Disney, Marvel, Lucas e Pixar estão banindo definitivamente o fumo das cenas de seus filmes.


As futuras gerações estão começando a serem poupadas de uma exposição maléfica, e assim vamos evitar que se contaminem com essa droga, como a minha geração e as anteriores se contaminaram.


Não só fisicamente, mas mentalmente.


Seja a ação da Disney fruto exclusivo de um interesse financeiro ou não, damos às boas vindas a mais uma notícia que nos aproxima ainda mais de um futuro livre do tabaco.


Salvemos a geração de nossos filhos o máximo que pudermos. 


Conforme disse Allen Carr, o criador do Método Easyway Para Parar de Fumar, não há fumante nesse mundo que goste de pensar em seus filhos fumando. O que – em última instância – representa que nós mesmos gostaríamos de não ter caído nessa armadilha.

 

Cruella de Vil e personagens congêneres, a partir de agora, vão cada vez mais ser só o retrato de um passado vergonhoso, onde uma indústria vil e cruel explorou nossas vidas para seu próprio deleite maligno.

Muito obrigado por ler nosso conteúdo!


Lilian Brunstein
Terapeuta de Allen Carr’s Easyway