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€190,000 destinados a estudo sobre o fumo | The Sunday Times

Colin Coyle - Publicado em  8 Fevereiro de 2015

O Departamento de Saúde alocou €190,000 em fundos de loteria para um estudo clÍnico do Programa Para Parar de Fumar de Allen Carr. Milhões de pessoas abandonaram o cigarro usando a técnica criada por Allen Carr, um ex-fumante inveterado, mas o programa nunca havia sido clinicamente testado anteriormente.

 

Um contador nascido em Londres e um fumante de 100 cigarros diários por mais de 30 anos, Carr fez lobby por duas décadas junto ao serviço de saúde Britânico, o NHS, para realizar estudos sobre sua técnica cognitiva, até mesmo escrevendo uma carta aberta ao então primeiro ministro Tony Blair, mas o sistema que ele criou nunca foi avaliado.  

 

James Reilly, o ultimo ministro da saúde, assinou a liberação da verba de €190,000 no ultimo verão, apesar de reservas de alguns funcionários, conforme mostram os registros liberados sob a Lei de Liberdade de Informação. Fundos de loterias são geralmente utilizados para projetos de capital de risco, mas Reilly se opôs aos servidores civis e apoiou os estudos. A verba foi alocada para o Instituto de Pesquisa Livre do Tabaco (Tobacco Free Research Institute - TFRI), que estuda a dependência do tabaco.

 

Luke Clancy, diretor geral do TFRI, afirmou que os estudos iriam prover valor pelo dinheiro investido, e poder avaliar pela primeira vez a eficácia do método de Allen Carr. “Para muitas pessoas, como gestantes ou aqueles em condições médicas delicadas, uma abordagem farmacêutica para parar de fumar não é uma opção”, ele disse. “Para alguns há efeitos colaterais sérios em relação aos produtos de reposição de nicotina. Esse sistema poderia mudar a vida dessas pessoas, ainda assim nunca houve um estudo randomizado de controle desde que o método começou há 30 anos atrás”.

 

Clancy disse que o TFRI respondeu a todas as preocupações dos funcionários do departamento. “Havia preocupações sobre custos e considerações éticas, mas nós as abordamos e esperamos iniciar o estudo esse ano”, ele disse.

 

A Organização Allen Carr custeou um estudo clinico completo ano passado, Clancy disse, mas viu que comparando seu sistema com o Serviço Para Parar de Fumar do NHS no Reino Unido custaria  £800,000 (€1m), consideravelmente mais do que o projeto de pesquisa Irlandês.

 

Carr, que morreu de câncer de pulmão em 2006, acreditava que a dependência de nicotina era um mito, e que a abstinência era simplesmente uma sensação de “vazio e insegurança”. Em seu livro best-seller, O Método Fácil de Parar de Fumar, ele escreveu que não era preciso usar a força de vontade para largar dos cigarros, e que somente o “medo de parar” impedia os fumantes de parar.

 

Diferente de outros guias de auto ajuda, os fumantes eram encorajados a continuar a fumar até a página final do livro, no momento em que deveriam extinguir seu último cigarro.

 

Apesar das evidências pessoais apoiando o programa, com celebridades como Ashton Kutcher, Ellen DeGeneres e Richard Branson reivindicando que o método os ajudou a acabar com o vício, a profissão médica consistentemente ignorou a técnica de Allen Carr, parcialmente por causa da falta de qualificações científicas.

 

Após falhar em convencer o NHS e o grupo lobista Britânico ASH a apoiar o sistema, ele os acusou de estarem comprometidos com a indústria de reposição de nicotina.

 

Obituários de Carr apontam como ele compilou um dossiê de conexões entre os grupos lobistas anti-fumo e as companhias de tabaco e o fez circular por entre os jornais do país, embora nenhum deles tenha publicado as reivindicações. 

 

Além de escrever livros de auto-ajuda, Carr possui uma rede de clínicas onde os clientes recebem a garantia de que eles irão parar de fumar ou terão seu dinheiro de volta. Em 2001 ele processou Chris Evans, quando o DJ alegou na Radio Virgin que Carr fumava escondido. Carr ganhou e foi  indenizado em £100,000.

 

Reilly, agora ministro para a criança e assuntos da juventude, defendeu a decisão de bancar os estudos apesar das reservas expressas por funcionários civis, enfatizando que este será o primeiro estudo como esse.  

 

“Eu sempre valorizo o conselho que recebo de funcionários do departamento de saúde em relação ao Fundo Discricionário da Loteria Nacional , mas como ministro eu nem sempre concordo com eles”, ele disse.

 

“No caso da solicitação para custos relacionados ao Instituto de Pesquisa Livre do Tabaco na Irlanda, eu me senti inteiramente satisfeito pelo benefício público poder ser significativo. Na área da saúde, somas substanciais são muitas vezes gastas em nome da sobrevivência de pacientes individuais, e assim o são adequadamente.

 

“Aqui nós temos a oportunidade potencial de ajudar muitas pessoas que tem um vício mortal. Esse financiamento poderá ajudar com um método subjacente e científico de parar de fumar que não requer medicações, tais como cigarros eletrônicos e adesivos de nicotina”.

 

O projeto não foi o único apoiado por Reilly diante de fortes objeções de funcionários. O ex-ministro também alocou €50,000 para o Cork Counselling Service ano passado, ainda que funcionários civis aconselharam-no de que esse conselho já havia recebido recursos “consideráveis” do fundo de loteria em anos anteriores, e estava usando as subvenções para “propósito de receitas correntes” ao invés de despesas de capital.

 

Em um memorando para os funcionários, Reilly concordou que a organização possa ter se tornado dependente dos recursos da loteria”, mas argumentou que cortar a verba poderia trazer um efeito sério em seus clientes, adolescentes vulneráveis sob alto risco de suicídio.  

 

 

http://www.thesundaytimes.co.uk/sto/news/ireland/article1516530.ece